AMAPAR resgata entrevista histórica do fundador Alceste Ribas de Macedo

Rômulo Cardoso Quinta, 05 Março 2020

AMAPAR resgata entrevista histórica do fundador Alceste Ribas de Macedo

Uma edição histórica do Jornal Novos Rumos, datada de julho de 1997, foi encontrada nos últimos dias pela diretora do departamento de Arquivo e Memória, a professora Chloris Elaine Justen de Oliveira. O mais curioso e, principalmente, valoroso está estampado  na capa do periódico e traz uma das últimas entrevistas concedidas pelo saudoso desembargador Alceste Ribas de Macedo, o fundador maior da AMAPAR.

 

A edição do periódico Novos Rumos celebrava os 40 anos da entidade. Na entrevista, Alceste, sem delongas ou restrições, falou dos motivos que levaram um grupo de juízes fundarem a então Associação dos Juízes do Paraná, no dia 11 de agosto de 1957.

 

A discriminação salarial e de tratamento entre juízes e desembargadores foi estopim, mas não apenas. À época o Poder Executivo do Paraná anunciou um aumento nos vencimentos de magistrados e o acréscimo seria concedido apenas aos desembargadores. “Seria uma traição minha concordar com o aumento dos desembargadores e não dos juízes”, relatou Alceste, ao demonstrar ter veia para o associativismo. Ele era juiz e diretor do fórum cível da capital paranaense durante o desenrolar de toda a discussão que desencadeou a origem da AMAPAR.

 

O então presidente do TJPR, Lauro Lopes, concordou com o colega Alceste e a criação da associação surgiu a partir de tal episódio. Ao retornar à sede do edifício Demeterco, o primeiro imóvel ocupado pela AMAPAR, Alceste relatou o episódio aos colegas. Sem titubear, a origem da AMAPAR estava sedimentada durante a reunião como os demais juízes presentes. “Por bondade dos juízes, o escolhido para presidir fui eu”, contou, ao falar da aclamação da diretoria.

 

Depois de presidir a associação do juízes, que viria a se tornar a AMP e posteriormente a AMAPAR, Alceste Ribas de Macedo presidiu o TJPR. E como não era para menos, também enfrentou embates.

 

Foi eleito e reeleito duas vezes para o cargo máximo do Judiciário Paranaense e durante o terceiro mandato foi atingido pelos atos de exceção com o AI5. Teve de se aposentar, a pedido de um emissário do então ministro da Justiça, Alfredo Buzaid. Alceste reiterou na entrevista que não sofreu cassação, mas foi aposentado, com vencimentos compatíveis da época, sendo reintegrado ao cargo no futuro. “Voltei ao Tribunal, trabalhei mais cinco anos e me aposentei de acordo com a lei”, explicou. 

 

A entrevista ruma para as perguntas praxe, como o relacionamento entre os poderes e a independência do Judiciário. Indagado sobre suas principais realizações como presidente, Alceste cita o então Tribunal de Alçada e a Judicemed – o plano de saúde da magistratura e de familiares. “Gostaria de transmitir aos juízes o meu sentimento de alegria e de gratidão pelo papel que eles estão desempenhando”, finalizou.

 

Alceste Ribas de Macedo faleceu no ano de 2000, ao fundar uma associação “original”, como frisado pela professora Chloris Elaine Justen de Oliveira nos escritos mais importantes que contam a história da entidade. 

 

Nos próximos dias a AMAPAR publicará mais "memórias" da entidade, como verdadeiros resgates históricos que evidenciam a importância da magistratura paranaense. 

 

 

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